Deopis de tomar o pequeno almoço, esperei pela visita do médico para saber se havia novidades. E às 9h30 lá me chamaram para ir ao consultório. A médica faz um toque... bem doloroso, na tentativa de fazerem a rutura de membranas. E lá rebentaram. Inundei o chão do consultório, muito líquido, e sangue à mistura.
Saí de lá esgotada, dorida, e na expetativa de que daqui em diante fosse rápido. Mandei uma msg ao teu papá, pois ele só podia entrar às 11h.
Às 9h45 deram-me antibiótico, para não haver infeções. E às 10h45 desci para a sala de partos. Aqui estou eu já de bata azul!
Às 11h chegou o teu pai, curioso para me ver e saber como estávamos. Deram-me soro com oxitocina, a ver se avançava, e ficamos à espera. Entretanto as dores iam aumentando.
Às 14h deram nova dose de antibiótico, e como as contrações já eram muito dolorosas, às 15h30 deram a primeira dose da epidural. Fiquei muito quietinha, mesmo a sofrer com as contracções, para não haver problemas com a epidural.
Fiquei a saber que era dia de greve das enfermeiras, porque estava lá uma enfermeira muito simpática, a Enfª Isabel Mortágua, que usava um autocolante a dizer: estou de greve. Mas a verdade é que fazia tudo.
O papá ia vendo os outros papás a entrar na sala, todos brancos e ansiosos, e ele estava extremamente e estranhamente calmo.
Às 17h00 fizeram novo toque, tenho 2 cms de dilatação apenas. Que novidade, tal como da Sofia, parece que não escapo à cesariana.
Às 18h20 nova dose de epidural. Já não tinha paciência, mal as dores voltavam pedia nova dose.
Aqui o CTG que mostrava as contracções e o teu batimento cardíaco.
18h30 nova dose de antibiótico.
18h40, novo toque, 2 dedos francos, seja lá isso o que for. Não percebia porque é me faziam esperar tanto.
Às 20h00 mudou a equipa técnica, e entrou nova médica a inteirar-se do caso, Novo toque muito doloroso às 20h30, e segundo a médica, ainda é para esperar.
Aí passei-me e tive um bate-boca com a médica. Sim, estou à espera há horas, já rebentaram as águas há horas, e não passo dos dois cms de dilatação. A médica disse que era o primeiro toque dela, e com ela podia evoluir. Perguntei-lhe o que tinha ela de diferente, já que com todos os outros médicos não evoluiu, e já tinha historial de cesariana precisamente pela não evolução do trabalho de parto.
Apesar da minha quase súplica, disse-me para esperar mais um pouco, que se no novo toque não houvesse evolução, ia marcar a operação.
20h40 nova dose de epidural.
21h50 nova dose de epidural. Por favor... já está a ser demais!!!
22h05 novo toque, Como não evoluiu, ( OH, QUE NOVIDADE) finalmente decidiram pela cesariana!!
Depois foi uma pressinha! Fui para o bloco de operações, e o papá foi arranjar-se também, para me poder acompanhar. 22h15 estava eu já no bloco, à espera que o papá entrasse pela porta. E repetindo a toda a equipa para terem cuidado, porque eu tinha muitas aderências. Na primeira cesariana rasgaram-me o intestino, e pedia para terem cuidado acrescido. Aos anestesistas só dizia para não me darem anestesia geral, que eu aguentava!!
O papá lá entrou, agora já pálido e ansioso, e sem que ninguém notasse, filmou parte da operação!!
E depois de algum sofrimento por parte da mãe, às 22h56 nascias tu, a nossa tão desejada filhota! Foste logo ser limpa e vista pelo pediatra, que te fez o teste de apgar. 8 na primeira análise, 10 na segunda.
E enquanto os médicos começavam a tratar da mãe, decidiram-me dar anestesia geral, para eu não me mexer (sim, eu tinha muitas dores) e o papá assustava-se por não saber como tu estavas, e como eu ia ficar. Depois pediram-lhe para sair da sala, e ele foi para a tua beira. Viu a enfermeira dar-te o primeiro biberão. Bebeste logo 60 ml de leite de penálti! O pai achou demais, e passado pouco tempo bolsaste. Já estava o pai sozinho contigo, e na ausência da enfermeira, limpou-te logo com uma gaze que tinha ali perto! E enquanto eu não saía do bloco, o pai babado ia tirando as tuas primeiras fotos. Eras tal qual ele tinha sonhado. Linda e cabeluda! Ainda muito inchadita, com as manchas típicas de uma recém-nascida, ainda com muito vérnix (a camada de pele que te protegia no útero), a nossa linda e amada filhota!
Aqui a caminha onde esperaste que a mamã
acordasse da cirurgia!
E enquanto esperavam por mim, o pai tirou fotos ao bloco de partos do Hospital, para ficar de recordação o sítio onde nasceste!
E finalmente eu acordei, o teu pai ficou
com o coração mais levezinho, porque as duas meninas dele estavam bem, e
registou em fotos o primeiro momento em que te vi!
E às duas da manhã do dia 25 subi
finalmente para o quarto, no quinto piso. ainda muito cansada e sonolenta da
anestesia. O papá acompanhou-nos até cima, e depois foi-se embora, porque o
hospital não o deixava ficar lá durante a noite!
Foi embora muito mais rico e feliz do que
quando entrou. E o dia 24 ficou para sempre registado como o teu dia, nos nossos corações!































